domingo, 12 de outubro de 2014

POSTURA "IDEAL" NA CORRIDA (OU, DOR SOCIAL)

O que você acredita ser uma “dor social” (relacionada à postura ideal): algo relacionado a um conjunto de pessoas? Uma atitude solidária? Prática de voluntariado, talvez? Nada disso. O blogueiro Marcel Sera ajuda a avaliar se você sofre deste mal


postura_social

O conceito de “dor social” é, comumente, usado por alguns profissionais que trabalham com a postura e orientam os pacientes a corrigir-se, a fim de evitar dores e futuras lesões.
Sabe quando nós tentamos, de maneira forçada, chegar à postura “ideal” e, mesmo assim, sentimos dor ou não ficamos confortáveis para nos manter em tal posição por muito tempo? É isso. O problema está, justamente, nesse “ideal” que nós mesmos calculamos e o mais correto seria pensarmos em “posições ideais”. Digo isso porque não existe uma só posição para nos mantermos e que vai nos dar todos os benefícios. Tudo depende do biótipo da pessoa (alto, baixo, magro, gordo…, e por aí vai).
Temos a tendência de ver uma pessoa (que julgamos ser) mais experiente e copiá-la na atividade achando que estamos nos corrigindo, mas muitas vezes podemos estar provocando a chamada “dor social” em nós devido à falta de conhecimento da necessidade do nosso próprio corpo.
Imaginamos como ideal o correto, certeiro e melhor. Mas nem sempre o ideal de um é o melhor para o outro. Entende? Muitas pessoas forçam demais o corpo na tentativa de chegar a um desempenho ideal, mas pecam ao esquecerem as diferenças anatômicas que todos possuímos. Por exemplo, o jeito como uma pessoa alta fica sentada é bem diferente da mais baixa: a pessoa mais baixa às vezes não consegue encostar os pés no chão, se estiver no fundo da cadeira e a mais alta, mesmo bem no fundo da cadeira, ainda tem de deixar os joelhos esticados para frente, para manter as coxas apoiadas no assento. Isso torna impossível que ambas tenham a mesma postura. Viu como fica difícil se basear no que o outro faz para fazermos igual?
Agora vamos ao que interessa: e na corrida? (ou qualquer outra prática esportiva)
Muita gente corre, pedala, nada, como se fosse um ícone da modalidade que está praticando. Na bicicleta, alguns se inclinam demais para baixo, forçando o pescoço. Na natação, existem aqueles que querem dar braçadas extremamente longas, utilizando pouco as pernas, forçando os ombros. E nas outras modalidades, as mesmas coisas.
Na corrida, a pessoa tenta ficar ereta, com o peito estufado para frente, com passadas largas. Isso, só para citar algumas das principais “correções”. Mas o que acontece é que nem todos foram feitos para isso. Por exemplo: geralmente, os orientais possuem a pelve menos móvel, dificultando passadas mais largas sem que forcem a articulação do quadril. Pessoas com a caixa torácica mais rígida (que passam muito tempo curvadas, fumantes, bebem pouca água, entre outros), têm dificuldade em esticar as costas de forma harmônica, sobrecarregando mais a coluna lombar na tentativa de ficar mais ereta.
Citei apenas dois exemplos, mas seria possível escrever um livro com todas as variações corporais. Então, pense em corredores ou atletas de outras modalidades, de etnias diferentes e repare como eles se movimentam de maneiras diferentes.
Experimente ver uma prova de maratona da campeã olímpica Mizuki Noguchi, uma japonesa que quando comparada às rivais de outras etnias, possuía uma pelve quase sem movimentos, assim como uma coluna menos móvel, porém, com passadas mais curtas e mais rápidas.
Diferente, também, é o movimento de algumas campeãs africanas, com pernas mais longas, que possuem passadas mais largas, algumas correm com joelhos sempre mais dobrados, um quadril e coluna mais móveis, com movimentos de ombros mais amplos, bem como a rotação da coluna mais presente.
Ou seja, tudo depende do seu biotipo! Fique atento, pois não adianta querer fazer igual ao seu ídolo, quando se tem um corpo diferente.
Procure sempre encontrar a melhor forma de praticar os exercícios para a sua constituição física e se precisar, consulte um especialista para te auxiliar, evitando assim, as “dores sociais”, que se preferir, pode chamar de “dores do espelho”, ou “dores da imitação”. Enfim, evite-as!
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Matéria compartilhada do site www.o2porminuto.ativo.com

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