Por: Mário Lenza - São Paulo - 17/10/2014
Essa lesão ocorre quando as superfícies das articulações ficam completamente separadas uma das outras. Os traumas são os maiores causadores desta condição, que pode também resultar de má formação congênita das superfícies articulares.
Muitas luxações traumáticas estão associadas a fraturas, tais como: as de cotovelo, tornozelo, quadril e vértebras. Frequentemente, as luxações são acompanhadas por danos nos tecidos moles, por causa de estiramento ou ruptura das estruturas ao redor da articulação. Os ligamentos também podem ser rompidos, parcial ou totalmente, o que pode exigir reparo cirúrgico. Os músculos, tendões, bainhas sinoviais e cartilagens também podem ser danificados.
Os principais sintomas são:
- Dor intensa, pior do que a habitualmente sentida com uma fratura;
- Deformidade visível, porque o contorno normal da articulação pode ser modificado. No entanto, pode haver ocasiões em que a deformidade não é discernível ou há uma fratura associada, o que pode fazer com que a luxação seja negligenciada;
- Após algum período de tempo, outras características podem surgir, como tumefação – ocorre como resultado do rompimento dos tecidos moles e com reação inflamatória –, contusão – que é devida ao extravasamento de sangue dos vasos lesado – e rigidez – que é o desenvolvimento de aderências, podendo criar problemas na recuperação da função;
- Fraqueza muscular, ocorrendo nos músculos ao redor da articulação. Pode haver, ainda, um quadro de luxação reincidente, que acontece quando a lesão provocada pela primeira luxação não cicatriza, acarretando em nova luxação.
A ocorrência dessa lesão, como se pode perceber, não é nada simples, inofensiva ou deve ser usada como consolo para o atleta lesionado, da mesma forma pela torcida aflita. Por esta razão, sugiro que com todo seu olho clínico para diagnósticos e vastos conhecimentos em ortopedia, o comentarista troque o seu jargão, e passe a dizer, ou melhor, gritar, em alto e bom som, como é de seu costume: “Xí, amigos… Será uma luxação?”
*Mário Lenza é ortopedista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo
Matéria compartilhada do site www.suacorrida.com.br
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