domingo, 11 de janeiro de 2015

OVERTRAINNING: O EXAGERO NA DOSE


overtraining
Ao tentar melhorar o desempenho em provas, alguns corredores exageram na intensidade dos treinos e não respeitam um período adequado de descanso. A atividade é tão intensa que os músculos não conseguem se recuperar entre um treino e outro. Não bastasse isso, ainda seguem uma alimentação incorreta. Resultado: um cansaço intenso, que não passa, também conhecido como Síndrome de Overtraining (literalmente, exercitar-se mais do que o corpo aguenta), ou Síndrome do Excesso de Treinamento.
Não é apenas cansaço, é exaustão. Isso precisa ficar claro. O atleta em overtraining está em estado de exaustão física e psicológica. Sentir-se apenas cansado faz parte do treino, mas sentir-se exausto, somado aos sintomas psicológicos, é sinal de alerta
Uma diferença importante é que o cansaço simples pode ser eliminado com atividades relaxantes, enquanto a Síndrome do Overtraining exige que o atleta pare por um tempo e depois recomece do zero. Entre as sequelas físicas provocadas pela overdose de treinos estão dores musculares, o aumento da frequência cardíaca, o aumento da tolerância (necessidade de mais sessões de treino para obter o mesmo resultado) e a perda de rendimento. Já as emocionais vão de angústia e depressão à sensação de incompetência, passando por sintomas como ansiedade, irritabilidade excessiva, apatia, diminuição da libido, dúvida quanto a si mesmo, apatia e raiva prolongada.
Há também a possibilidade de o treino ter alcançado um valor muito alto na vida da pessoa, tornando-se a sua fonte única de prazer. Nesses casos é como se o atleta dependesse do treino para se sentir bem. Antigamente, só atletas profissionais apresentavam overtraining.
Hoje, esse problema tem sido muito comum entre amadores. Uma pesquisa do Centro de Estudo em Psicobiologia do Exercício, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), apoiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), identificou que 28% dos atletas brasileiros profissionais ou recreacionistas são viciados na prática de exercícios.
Normalmente o corredor aumenta a quantidade de treino com a crença de que, assim, melhorará sua performance. Porém, a sensação que se tem é de que, quanto mais se treina, pior o desempenho fica.
O programa de reabilitação prevê redução da carga de treinamento e descanso por pelo menos duas semanas, mas, dependendo da gravidade, o caso pode exigir um afastamento completo dos treinos por até seis meses. Nesse período, além do repouso, é importante investir numa dieta com alto valor nutritivo e rica em vitamina E, nutriente parcialmente responsável pela regeneração de todos os tecidos do corpo, incluindo sangue, pele, ossos, músculos e nervos, ajudando de forma significativa a reduzir os sintomas de overtraining. A vitamina E ocorre naturalmente em alimentos de origem vegetal, principalmente nos legumes e verduras verde-escuros, nas sementes oleaginosas (nozes, amêndoas, avelã, castanha-do-pará), nos óleos vegetais (amendoim, soja, palma, milho, cártamo, girassol) e no gérmen de trigo. Também pode ser encontrada em alimentos de origem animal, como gema de ovo e fígado.
O retorno aos treinos deve ser bem gradual, a partir de um novo planejamento. Dependendo do caso, a troca da corrida por uma atividade mais leve e relaxante pode resolver: em vez de correr, treinar na piscina, por exemplo.
Muita gente acha que essa síndrome é exclusividade de atletas de elite, mas o overtraining acomete também corredores amadores. Para isso, basta não descansar o suficiente que depois de algum tempo o organismo entra em colapso.
(Fonte: psicóloga clínica e esportiva Carla Di Pierro)
Matéria compartilhada do site www.o2porminuto.ativo.com

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