sábado, 18 de janeiro de 2014

Fascite plantar é a lesão mais comum entre maratonistas

Matéria compartilhada do site o2porminuto.ativo.com


Fisioterapeuta brasileiro consultou 285 atletas que correram a Maratona de São Paulo para o estudo

Entenda melhor essa lesão que assombra muitos corredores - Foto: Shutterstock

Lesões estão mais presentes na vida dos maratonistas do que muitos deles imaginam. Uma pesquisa apresentada durante o VI Congresso Brasileiro e IV Congresso Internacional de Fisioterapia, em 2013, aponta que a fascite plantar é a mais comum entre elas. Mas há outras.

Para o estudo, o especialista em fisioterapeuta esportiva, membro da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e diretor clínico da Prime Fisioterapia, Evaldo Bosio, e sua equipe, avaliaram 285 corredores que participaram da Maratona Internacional de São Paulo de 2012. Os atletas tinham entre 18 e 60 anos, sendo 237 e 48 mulheres. Eles coletaram os dados epidemiológicos e também realizaram uma avaliação clínica em cada indivíduo antes da largada.
Entre todos os participantes, 247 (que representam 86%) apresentaram algum tipo de lesão. Veja o ranking dos lesionados:
A intensão do estudo de Bosio é identificar as principais lesões entre os maratonistas brasileiros. “Existem muitas pesquisas cientificas com dados de corredores americanos ou europeus e, geralmente as lesões mais encontradas em outros países são diferentes das sentidas por nossos corredores”, afirma o fisioterapeuta. “Isso se explica, muitas vezes, pelo tipo de treinamento, condições climáticas e até mesmo as vias públicas que, em alguns circuitos ou provas, tem desníveis no asfalto e pequenos buracos que podem causar algum tipo de lesão.” Segundo Bosio, “é importante sabermos as particularidades de nossos atletas e traçarmos medidas preventivas para diminuir ou minimizar os problemas.”
Para o fisioterapeuta, “atleta e treinadores devem sempre estar atentos aos primeiros sinais de dor, que é a forma do corpo nos avisar que algo está acontecendo de errado.” Ele também lembra que muitas pessoas se automedicam de maneira errada, o que pode gerar mais problemas no futuro. “Aos primeiros sinais de incômodo durante a corrida é importante diminuir o ritmo e, se persistirem ou aumentarem, é hora de parar e procurar ajuda de um especialista”, completa.
O QUE É FASCITE PLANTAR?
A fáscia plantar é uma estrutura de proteção dos músculos, com poder de absorver os impactos e proteger os ossos (26 nos pés). Ela não só sustenta, mas é presa a músculos intrínsecos e a ligamentos do pé. Ao caminhar ou correr, a planta do pé distribui o peso do corpo e absorve os impactos em vários pontos da fáscia, um deles no osso do calcanhar (calcâneo). As forças de tração ao longo desse apoio podem desencadear um processo inflamatório, fibrose ou degeneração dessas fibras faciais a partir do osso, daí a fascite.
Iniciar tratamento logo nos primeiros sintomas economiza tempo de recuperação – de seis a dez meses. A fascite não deve ser confundida com outras fraturas por estresse (fissuras no osso) e o chamado esporão calcâneo (calcificação). Somente nesses casos a dor vem acompanhada de inchaços no local.
CAUSAS
• Pronação e supinação excessivas na pisada
• Traumatismos intensos de repetição por corrida em piso duro
• Aumento da amplitude das passadas na corrida
• Encurtamento ou rigidez da musculatura da panturrilha
• Diferença no comprimento das pernas
• Uso contínuo de calçados muito baixos: sapatênis e sapatilhas
• Esforço prolongado de pé, sob musculatura curta e pés muito cavos ou planos
• Falta de força e equilíbrio nas pernas para praticar esportes
• Entortar pisadas e andar na ponta dos pés para aliviar dores
SINTOMAS
• Dor no primeiro passo ao levantar ou depois de relaxar músculos
• Dor na palpação debaixo dos pés e ao andar
• Sola do pé mais rígida, retraída e sensível
• Interrupção das dores durante a corrida
• Retorno da dor durante o dia
TRATAMENTOS
• Fisioterapia analgésica e anti-inflamatória
• Repouso, próteses e palmilhas para impacto
• Massagens com bolinhas de tênis ou pequenos roletes de madeira na sola dos pés
• Técnicas de crochetagem (ganchos) para romper pontos de fibrose
• Ondas de choque extracorpóreas para pacientes que têm o problema há mais de seis meses
PREVENÇÃO
• Aquecimento específico, para quadril, pernas e área dos pés
• Evite tênis desgastados ou inadequados ao seu tipo de pisada
• Modere nos treinos de tiro, corridas longas e esforços com pesos
• Rolar os pés sobre garrafa de água congelada (500 ml) por 15 minutos
• Fazer exercícios de musculação para as coxas e de equilíbrio nas pernas (propriocepção)
RETORNO À CORRIDA
Quando conseguir, sem sentir dor:
• Dar o primeiro passo pela manhã
• Apalpar a área da fáscia plantar
• Realizar atividades diárias normalmente
• Flexionar e estender pernas e pés

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